Mailton e Wilson Albuquerque (Foto: Reprodução/TV Globo)Mailton e Wilson Albuquerque
(Foto: Reprodução/TV Globo)
A fertilização in vitro trouxe soluções aos casais que tinham dificuldades em ter bebês. Ela também possibilita a realização deste sonho aos homossexuais. Mailton e Wilson Albuquerque optaram pelo método e tiveram sua primeira filha, Maria Tereza. A dupla paternidade dos dois foi reconhecida. Ana Maria Braga recebeu o casal no Mais Você, da TV Globo desta segunda, 05 de março. (Assista a entrevista completa)

O programa mostrou uma reportagem sobre a vida dos dois. O casal, que tem uma relação estável há 15 anos, fez a reprodução a partir da doação do sêmen de Mailton. Maria Tereza foi gerada por reprodução assistida e quem deu à luz foi a prima de um dos pais. Na certidão de nascimento da criança consta o nome dos dois.

Na casa de cristal, Ana Maria conversou com o casal. Mailton falou sobre a aceitação inicial de sua sexualidade. Ele relatou que nunca teve contestação da família e que, a partir do momento em que se aceitou, tudo passou a melhorar.

“A gente queria preservar a nossa filha. Porém, o juiz me pediu para ler a carta da promotoria do estado de Pernambuco. O Ministério traz uma carta para a nossa filha, Maria Tereza. Ela diz que Maria Tereza existe e é fruto de amor entre duas pessoas”, contou Mailton, destacando que se emocionou ao ler o documento.

“O promotor escreveu seis páginas para a nossa filha e a carta dele emocionou o juiz”, relatou o pai. “Com uma decisão destas a gente tinha que dar a cara ao Brasil”, destacou, relatando o motivo pelo qual o casal decidiu se mostrar à sociedade brasileira.

“É muito mais do que amor, o sentimento não está no dicionário. Quando aquela coisinha veio ao mundo e começou a chorar, o Mailton a pegou no colo e ela se acalmou”, destacou Wilson, finalizando a conversa.

Outras informações:
Lei: Em 06 de Janeiro de 2011, o Conselho Federal de Medicina modificou a Lei nº 3.268 sobre casais homoafetivos e o direito à fertilização assistida. A partir dessa data, a lei permite que qualquer tipo de casal pode fazer fertilização in vitro.

Futuro: A estimativa é que cerca de 14 milhões de crianças, em todo o mundo, convivam com pais e mães LGBTs. Por aqui, onde mais de 60 mil casais do mesmo sexo vivem uma união estável (reconhecida perante a lei apenas no ano passado), a história é mais recente. O primeiro caso de adoção por um casal homoafetivo aconteceu há 6 anos, quando a união estável ainda não era reconhecida.

Bullying: Uma pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas com quase 19 mil pessoas mostrou que 99,3% dos estudantes brasileiros têm algum tipo de preconceito. Entre as ações de bullying, a maioria atinge alunos negros e pobres. Em seguida, vêm os preconceitos contra LGBTs.