Grant Morrison fez o comentário em entrevista à 'Playboy' americana.
Polêmico escritor declarou que não usou o termo de forma pejorativa.


Do Gay1 Entretenimento
Capa de uma das edições de 'Batman e Robin', de novembro de 2010, cuja história foi escrita por Grant Morrison (Foto: Reprodução/DC Comics)'Batman e Robin', edição de novembro de 2010, com
roteiro de Grant Morrison (Foto: DC Comics)
"Batman é muito, muito gay." Quem avalia é uma pessoa suficientemente íntima do personagem: o escocês Grant Morrison, 52, responsável, há anos, pelos roteiros das HQs que trazem o herói. Morrison forneceu a avaliação à edição de maio da "Playboy" americana, que traz um texto que o descreve da seguinte forma: "O principal escritor de quadrinhos de super-heróis neste universo — e possivelmente nalguns outros."

Faltou dizer que o autor é, também, conhecido pelas controvérsias que vem provocando ao longo de uma carreira iniciada no final da década de 1970. No entanto, ainda sobre Batman, ele faz uma ressalva: "Eu não estou usando [o termo] gay em sentido pejorativo". Pouco antes, ele dissera que "o aspecto gay faz parte" do personagem. E que não se pode negar tal característica.

"Obviamente, por ser um personagem de ficção, ele tem de ser heterossexual, mas a base de todo o conceito é totalmente gay. Eu acho que aí está o motivo por que as pessoas gostam dele", prossegue Morrison. "Todas essas mulheres gostam dele e todas elas usam roupas fetichistas e pulam sobre telhados para agarrá-lo. Ele não liga — está mais interessado em sair com o velho e com o garoto.”

O autor refere-se agora, naturalmente, ao mordomo Alfred e ao Robin. Mas ele não se limitou a especular acerca da orientação sexual de Batman. No princípio, seu comentário tem como alvo outras questões relativas ao herói: "Eu estava interessado no elemento de classe de Batman. Ele é um homem rico que bate em gente pobre. É uma missão bastante bizarra, sair à noite vestido de morcego e bater em drogados. E depois voltar para a casa, viver numa mansão".

O perfil feito pela "Playboy" lembra ainda que Morrison foi o responsável por tornar sua versão para "A liga da justiça" um best-seller. Cita ainda de seu envolvimento com "magia", "experiências provocadas pelo uso de substâncias" e "visitas de alienígenas". "Os criadores de super-heróis são todos malucos", observa o autor à revista. "As pessoas se esquecem disto — eles são todos párias, à margem da sociedade. Nós [os autores] somos gente que não se enquadra na sociedade convencional".

Atualmente na DC Comics, que publica Batman, Morrison já prestou serviços também para a Marvel, outra potência do ramo. Lá, ele trabalhou, por exemplo, com "X-Men". Na matéria da Playboy, ele dá sua opinião, além de Batman, sobre Super-Homem, Mulher Maravilha, Coringa, Magneto, entre outros.